UESC realiza Curso de primatologia de campo em Serra Grande
“Primatas em paisagens fragmentadas” é o foco do segundo curso de Primatologia de Campo que está sendo realizado pela Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC, até o dia 9, na Reserva Natural da Serra do Condurú, em Serra Grande. Organizado pela Sociedade Brasileira de Primatologia (SBPr) conta com a participação de 19 alunos de nove Estados e Distrito Federal.
Estão sendo ministradas palestras, aulas e mini projetos de campo. O curso está sendo ministrado pelos professores e doutores Célio Murilo Vale, da Universidade Federal de Minas Gerais, Sérgio Lucena Mendes, da Universidade Federal de Espírito Santo e Stephen Ferrari, da Universidade Federal de Sergipe. Conta, também, com a presença do mestre Leandro Jerusalinsky, chefe do Centro Nacional de Primatas do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), João Pessoa, PB.
O curso está sendo coordenado pelos professores doutores Fabiano Rodrigues de Melo (UFG-Campus Jataí), Maurício Talebi (UNIFESP_Campus Diadema), e a coordenadora do projeto Romari Martinez, (UESC). O curso de Primatologia de Campo está sendo financiado pela Universidade Estadual de Santa Cruz, Sociedade Brasileira de Primatologia (SBPr), Margot Marsh Foundation, ICMBio e apoio da SEMA-BA.
Segundo a professora Romari Martinez, “o Brasil é considerado o país dos primatas porque existem muitos ambientes florestais aqui e há alguns milhares de anos esses ambientes se tornaram florestas luxuriantes com uma complexidade muito grande de habitats”. Acrescenta que “a UESC está num ambiente privilegiado, próxima a uma reserva natural em Una, numa área onde restam fragmentos da Mata Atlântica que deve ser preservada”.
A importância do estudo dos primatas é fundamental para a solução de diversos problemas relacionados à saúde do homem, “somos primos e muito parecidos geneticamente, ainda mais quando comparados a primatas tais como chimpanzés, gorilas e orangotangos do Continente Africano. Estudos têm mostrado que cerca de 98% do genótipo do chimpanzé é semelhante ou praticamente idêntico ao do ser humano, havendo aí apenas uma pequena variação de cerca de 2 por cento." Afirma a professora Romari.
A pesquisadora explica ainda que “no campo da Primatologia, o Brasil se destaca por possuir 110 espécies que representam cerca de um terço da diversidade existente no planeta. Várias dessas espécies (60) são endêmicas do território brasileiro. Os primatas também são importantes bioindicadores da qualidade de seu ambiente. Mas, segundo a Lista das Espécies da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção publicada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), 26 espécies de primatas brasileiros se encontram ameaçadas de extinção”.
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